A Prefeitura de Extrema colocou no centro de sua fiscalização financeira uma instituição que enfrenta duras restrições na Justiça por suspeita de fraude. O Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP) foi contratado por Inexigibilidade nº 000029/2026 (Processo nº 000116/2026) pelo valor exato de R$ 562.392,00, com dispensa de concorrência pública, para realizar uma auditoria nas contas da gestão do ex-prefeito João Batista da Silva (2021–2024), atual pré-candidato a deputado federal.
A contratação de uma consultoria externa sem licitação para auditar contas públicas já levanta debates sobre neutralidade em período pré-eleitoral. No entanto, o caso ganha contornos de crise institucional porque o IBGP é alvo de uma severa decisão do juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo (Vara Única de Jaboticatubas), que suspendeu um concurso organizado pela banca após identificar “indícios gravíssimos de fraude e desvio de finalidade”, além de violações à moralidade administrativa.
Enquanto a Justiça determinava o congelamento dos sistemas do IBGP devido às investigações de fraude, a Prefeitura de Extrema utilizava o relatório produzido pela mesma instituição para municiar denúncias ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas (TCE-MG). Na auditoria apresentada no Cine Teatro Municipal, o instituto apontou um suposto passivo de R$ 18 milhões na gestão de João Batista.
O cenário expõe uma contradição evidente: a atual administração municipal justificou a escolha direta da empresa para chancelar um diagnóstico de conformidade fiscal. Contudo, a credibilidade dos apontamentos técnicos contra o ex-prefeito passa a ser contestada na mesma proporção em que o IBGP se afunda em suspeitas de fraudar a fé pública no estado.