OPINIÃO: O sonho do oprimido é ser o opressor? A disputa de narrativas na política de Extrema


​A célebre frase de Paulo Freire, "quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor", parece definir com precisão o atual xadrez político de Extrema. A cidade hoje assiste a uma intensa guerra de narrativas nos bastidores, onde os papéis de "vítima" e "algoz" se confundem dependendo de quem está no poder.

​De um lado, o ex-prefeito e atual pré-candidato a deputado João Batista encontra-se no centro de uma enxurrada diária de publicações que apontam supostas irregularidades em sua gestão. O estopim recente foi uma auditoria contratada pela prefeitura - sem licitação - junto a uma empresa sob forte suspeita de irregularidades. 

Para o grupo de João Batista, trata-se de uma perseguição política coordenada, motivada pelo medo de seus adversários diante de sua projeção eleitoral. Se as denúncias têm fundamento ou não, cabe estritamente à Justiça decidir, mas o timing e a intensidade de publicações deixam margem para questionamentos.

​Do outro lado do espelho, a atual gestão municipal enfrenta um desgaste crescente sob acusações de autoritarismo. O episódio mais marcante foi a recente demissão de dez servidores da Secretaria de Educação após um movimento de paralisação e legítimas reclamações da categoria — uma postura vista por muitos como retaliação.

 Para completar o clima de mordaça, o governo decretou a proibição do uso de celulares por servidores após o vazamento de um áudio polêmico, no qual o pai de um influente político local exigia a rejeição do laudo de um vereador.

​No fim das contas, o cidadão de Extrema se pergunta se as publicações contra João Batista nascem do zelo público ou do medo das urnas, e se a atual administração age por ordem ou por pura intimidação. O cenário sugere que, na busca pelo poder, muda-se o opressor, mas o oprimido continua sendo o mesmo: o povo.

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