O uso de verbas públicas para o financiamento de páginas em redes sociais virou alvo de um grave questionamento na Câmara Municipal de Extrema. Em requerimento protocolado nesta semana, o vereador Marcinho do Gás (PL) cobra transparência da Prefeitura sobre contratos, empenhos e valores pagos pelo Executivo a veículos de imprensa e perfis virtuais desde janeiro de 2026.
O documento cita nominalmente páginas como “Mais Extrema”, “Conexão Extrema” e o portal “Boca no Trombone”. O caso do “Boca no Trombone” atrai atenção especial pelos números irrisórios de alcance: o perfil no Instagram soma pouco mais de 4,9 mil seguidores, enquanto métricas da plataforma Semrush revelam que o site do portal registra apenas 1,16 mil visitas totais e 494 visitantes únicos por mês — índices considerados extremamente baixos para a justificativa de investimento publicitário governamental.
A discrepância entre os dados de audiência e o eventual recebimento de recursos públicos fortalece a suspeita de favorecimento a aliados políticos, considerando que a responsável pela página apoiou abertamente a eleição do atual prefeito.
Impessoalidade e ataques coordenados
A principal crítica levantada no requerimento atinge o princípio constitucional da impessoalidade. Enquanto os perfis são utilizados para promover a imagem do prefeito, paralelamente constata-se a veiculação de matérias coordenadas voltadas a desgastar adversários políticos. Diante disso, o parlamentar exige saber se há interferência da gestão municipal na linha editorial desses canais para favorecer aliados e perseguir opositores com dinheiro do contribuinte.
A legislação determina que a publicidade oficial deve ter caráter estritamente educativo, informativo e de orientação social, sendo vedada a promoção pessoal. A Prefeitura de Extrema terá que prestar esclarecimentos e detalhar os critérios técnicos, os valores mensais e os responsáveis pela autorização dos conteúdos.