O atleta Lucas Ataíde Avelino completou recentemente mais uma edição do Ironman 70.3 — modalidade que exige 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida. Em conversa com a reportagem, ele detalhou os bastidores da sua preparação, o desgaste psicológico ao enfrentar condições climáticas adversas e a disciplina necessária para evoluir na modalidade
A Paixão pelo Desafio
A busca por superação pessoal foi o gatilho inicial para o ingresso no esporte de longa distância. "Sempre pratiquei esportes e gosto de me desafiar. Gosto de fazer provas de endurance justamente pelo desafio que é suportar todo o processo de preparação para conseguir performar nesse tipo de competição", destaca o atleta.
Apesar da exigência do percurso do 70.3, esta não foi a primeira experiência de Lucas em provas extremas. Ele já acumula três participações na distância "meio Ironman" e duas no Ironman Brasil, prova que dobra as metragens originais (3,8 km de natação, 180 km de pedal e 42 km de corrida).
Rotina Regrada e Renúncias
Para um atleta amador, o grande gargalo está em equilibrar as planilhas de treino com as obrigações profissionais e familiares. A preparação para englobar natação, ciclismo e corrida exige planejamento rigoroso.
"O grande desafio é conciliar a rotina de treinos com as demais áreas da vida. Para conseguir treinar bem as três modalidades, é necessário ter uma rotina regrada e bem planejada. Por vezes, meus treinos começam às 4h da manhã, no intervalo do almoço ou logo depois do expediente, faça chuva ou faça sol", relata.
O processo também exige escolhas difíceis e abdicação de momentos de lazer convencionais. Segundo ele, "não existe conquista sem entrega. Em momentos específicos do ciclo de treinamento, preciso me dedicar um pouco mais aos treinos e ao descanso. Nesses períodos, o próprio descanso acaba se tornando o momento de lazer."
Desgaste Mental sob Chuva e Vento
Durante a prova, as adversidades do clima exigiram atenção máxima, especialmente no trecho do pedal. "Por ser a última etapa da prova, a corrida exigiu muito do meu físico, principalmente pelo fato de querer extrair o meu melhor mesmo já com o corpo desgastado. Contudo, enfrentei chuva e vento durante toda a prova, o que exigiu muita concentração e preparo mental ao longo dos 90 km de ciclismo", revela.
Para Lucas, superar as barreiras psicológicas foi a chave para cruzar a linha de chegada. "Como na vida, penso que o maior desafio nesse tipo de prova é a nossa própria mente. Por vezes surgem pensamentos sabotadores que precisam ser superados para que possamos alcançar o objetivo final."
Saldo Positivo
Ao final da competição, o sentimento foi de dever cumprido e foco na sequência do trabalho. "Consegui extrair o melhor que eu tinha para aquele dia. Isso me deixou satisfeito e com a convicção de que ainda posso evoluir muito no esporte", avalia.
Questionado sobre a principal lição absorvida após todo o ciclo de preparação e prova, Lucas resumiu em uma frase direta: "A lição que fica é simples: o trabalho devolve."