A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Extrema oficializou, por meio da Portaria nº 301/2026, a proibição do uso de aparelhos celulares por servidores em horário de expediente. Embora o documento oficial mencione a "busca pela eficiência", o momento em que a medida é imposta levanta suspeitas sobre suas reais motivações, sendo lida por servidores e observadores políticos como uma tentativa de "blindagem" contra novos vazamentos e registros de irregularidades.
A proibição ocorre poucos dias após o vazamento de um áudio polêmico que abalou a política local. Na gravação, que circulou amplamente, o pai de um político influente de Extrema teria supostamente solicitado a demissão de um médico. O motivo seria o fato de o profissional ter concedido um atestado a um vereador de oposição.
Para funcionários da rede municipal, a coincidência entre o vazamento desse áudio e a proibição do uso de celulares nas escolas não é por acaso. "O clima é de vigilância total. Parece que o objetivo é impedir que qualquer prova de ingerência política ou de má gestão saia de dentro das repartições", afirmou um servidor que solicitou anonimato.
A medida acirra o tom das reclamações de perseguição que já vinham sendo relatadas por profissionais da educação. Denúncias apontam que a gestão utiliza transferências involuntárias e processos administrativos como forma de punir vozes dissonantes. A proibição do celular é vista como o ápice dessa estratégia, dificultando a produção de provas por parte dos servidores que se sentem assediados.
Além disso, a SME ainda lida com o desgaste de outros episódios graves, como:
O Incidente no transporte escolar do município na Rodovia Fernão Dias, que resultou em agressões e risco de vida para alunos e monitores. Favorecimento em Contratos: Suspeitas sobre a manutenção seletiva de contratos de Orientadoras Pedagógicas, ignorando a ordem de classificação de processos seletivos homologados.
Nossa equipe de reportagem buscou contato direto com o Secretário de Educação, Sr. Ruan Bruno, para questionar se a portaria possui relação com o recente vazamento do áudio ou com as denúncias de perseguição política. Também questionamos a Secretaria de Comunicação do Município sobre o embasamento jurídico e democrático da medida.Até o momento, não houve retorno por parte de nenhum dos procurados. O espaço segue aberto para que a administração municipal se manifeste sobre as acusações de que estaria implantando uma "lei da mordaça" para ocultar influências políticas indevidas e falhas na gestão escolar.