Relatórios da Polícia Federal (PF) cujo sigilo foi suspenso nesta terça-feira (1/9) revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, consultou o ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil apenas 48 horas antes de sua prisão. Vorcaro foi detido sob a acusação de liderar uma fraude de R$ 12,2 bilhões no sistema financeiro.
Nas mensagens enviadas em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, o empresário perguntou ao magistrado: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Em novos questionamentos na véspera da operação, o banqueiro ainda indagou se Moraes teria "notícias ou conseguiria bloquear" a ação policial.
Contrato milionário e cartões de crédito
O documento da PF também detalha a cobrança ostensiva do banqueiro para que o Banco Master não atrasasse os repasses do contrato de R$ 131 milhões firmado com o escritório Barci de Moraes, chefiado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em orientações internas, Vorcaro chegou a ordenar que os pagamentos fossem feitos "sem nota" e "do jeito que for". As investigações apontam ainda a concessão de cartões de crédito da instituição com limite de R$ 300 mil para dois filhos do casal.
Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes informou que consultou as regras de compliance e que não havia impedimentos legais para a prestação dos serviços, reforçando que o ministro Alexandre de Moraes jamais atuou ou julgou processos envolvendo o Banco Master.
Fonte: O Estado de S. Paulo / BBC News Brasil