​Esquiva e Edição: Como a SME reagiu às perguntas sobre o "incidente" e supostos favorecimentos

Uma série de denúncias graves coloca a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Extrema no centro de uma crise de transparência e gestão. Documentos obtidos pela reportagem revelam supostos indícios de favorecimento em contratações, irregularidades na fiscalização de verbas federais e falhas críticas na segurança do transporte escolar.  

​Um dos pontos centrais da investigação diz respeito à manutenção seletiva de contratos de Orientadoras Pedagógicas (OPs) após dezembro de 2025. Enquanto a maioria dos professores contratados foi desligada para dar lugar aos aprovados em novo processo seletivo, nove orientadoras — incluindo a esposa do Secretário de Educação — tiveram seus vínculos prorrogados, o que levantou questionamentos, considerando que existe um processo seletivo, no qual na classificação ela não deveria ter sido chamada. Gerando especulações sobre uma suposta fura de fila.

​Por outro lado, a SME alega que a medida foi necessária para garantir o funcionamento dos Centros de Educação Infantil Municipais (CEIMs) durante as férias dos efetivos e para manter a continuidade das estratégias pedagógicas já iniciadas. A pasta nega qualquer favorecimento, afirmando que as profissionais foram contratadas antes da homologação do certame.  

​A transparência na fiscalização dos recursos do FUNDEB também é questionada. O Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Recomendação nº 02/2025, exigiu o afastamento de conselheiros do CACS-FUNDEB por impedimentos legais e a realização de novas eleições. A suspeita era de que a SME teria tentado indicar familiares de membros da própria cúpula para o conselho fiscalizador.  

​A Secretaria justificou que apenas auxiliou a então presidente do conselho, que não tinha conhecimento dos processos, e que, após a recomendação do MP, o processo foi reiniciado com a posse de novos membros eleitos.  
​A segurança dos alunos e servidores no transporte escolar foi colocada à prova no último dia 9 de abril. Um incidente na Rodovia Fernão Dias envolveu um aluno com necessidades especial.  Resultando em agressões a uma monitora e ao motorista.  
​De acordo com fontes, houve redução no número de monitores. A SME não confirmou a redução de pessoal, mas informou que o aluno envolvido foi redirecionado para um transporte individualizado e especializado. Em contato com a mãe do aluno no dia 16, ela negou as afirmações, dizendo que ninguém havia entrado em contato até então. a pasta também afirmou que oferece treinamentos de protocolos de contenção por meio de sua Coordenadoria de Educação Inclusiva.  

​Conflitos Trabalhistas e Clima Organizacional
​uma petição com centenas de assinaturas relata um cenário de "terrorismo psicológico" e perseguição. Segundo, houve um aumento exponencial de Sindicâncias e Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra vozes críticas à gestão.  ​Além disso, a categoria reivindica:
​Equiparação Salarial: Prometida pelo atual Secretário em sua época de legislador, mas ainda não efetivada.  ​Adicionais de Insalubridade: Cobrados por monitores que lidam com fluidos biológicos.  Vale-Refeição: Questionamento sobre descontos em dias de atestado médico.  ​A Secretaria declarou que a revisão do Plano de Carreira do Magistério terá início em abril de 2026 e que todas as sindicâncias seguem rigorosamente o Estatuto do Servidor Público.  

​Enquanto a categoria reclama de salas superlotadas e falta de apoio técnico para inclusão, a prefeitura realizou a compra de materiais didáticos junto à empresa FHS LIVROS LTDA através do Pregão Eletrônico nº 000104/2025. Na qual existe denúncia no MP sobre suposto superfaturamento.  A SME defende que a aquisição de livros é uma política estratégica para a formação de leitores e que a seleção das obras segue critérios técnicos rigorosos.  
​A Secretaria de Educação conclui afirmando que mantém diálogo permanente com os servidores e desconhece as denúncias de perseguição, reafirmando seu compromisso com a ética e a transparência.  

Nota da redação

Ao ser acionada para prestar esclarecimentos sobre temas de alto interesse público — como a intervenção do Ministério Público no CACS-FUNDEB, suspeitas de favorecimento em contratações e o grave incidente de segurança na Rodovia Fernão Dias —, a Secretaria não apenas se esquivou de perguntas diretas, mas agiu de forma arbitrária ao alterar e editar o conteúdo do documento de pauta enviado pela redação.  

​Tal prática configura uma tentativa inaceitável de cerceamento à liberdade de imprensa e uma afronta ao Princípio da Transparência, que deve nortear a gestão pública. O papel do jornalismo é fiscalizar e questionar, cabendo ao Poder Público o dever ético de responder aos fatos conforme apresentados, sem tentar pautar ou "higienizar" o trabalho dos profissionais de comunicação.

​O Jornal Folha de Extrema reitera seu compromisso com a verdade e informa que publicará o teor original das denúncias, expondo à sociedade não apenas as irregularidades apuradas, mas também a tentativa de omissão por parte da atual gestão da SME

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